sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência












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Marcha Mundial
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Começará na Nova Zelândia, no dia 2 de outubro de 2009, aniversário do nascimento de Gandhi e declarado pelas Nações Unidas como “Dia Internacional da Não-Violência”. Terminará na Cordilheira dos Andes, em Punta de Vacas, aos pés do Monte Aconcágua, em 2 de janeiro de 2010. Durante esses 90 dias, passará por mais de 90 países e 100 cidades, nos cinco continentes. Cobrirá uma distância de 160.000 km por terra. Alguns trechos serão percorridos por mar e por ar. Passará por todos os climas e estações, desde o verão tórrido de zonas tropicais e do deserto, até o inverno siberiano. As etapas mais longas serão a americana e a asiática, ambas de quase um mês. Uma equipe base permanente de cem pessoas de diversas nacionalidades fará o percurso completo.
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Por quê?
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Porque a fome no mundo pode ser resolvida com 10% do que se gasta em armamento. Podemos imaginar como seria, se 30 ou 50% fossem destinados para melhorar a vida das pessoas, em vez de serem aplicados em destruição? Porque eliminar as guerras e a violência significa sair definitivamente da pré-história humana e dar um passo gigante no caminho evolutivo de nossa espécie.
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Porque nos acompanha nessa inspiração a força das vozes de tantas gerações anteriores que sofreram as conseqüências das guerras e cujo eco continua se escutando hoje em todos os lugares onde permanecem deixando seu fúnebre rastro de mortos, desaparecidos, inválidos, refugiados e deslocados.
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Porque um “mundo sem guerras” é uma proposta que abre o futuro e deseja se concretizar em cada canto do planeta, onde o diálogo vá substituindo a violência. É chegado o momento de fazer ouvir a voz dos sem-voz! Milhões de seres humanos pedem por necessidade que se acabem com as guerras e a violência. Podemos conseguir isso, unindo todas as forças do pacifismo e da não-violência ativa do mundo.
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Quem participará?
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A marcha é uma iniciativa do “Mundo sem Guerras”, uma organização internacional que trabalha há 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. No entanto, a Marcha Mundial será construída por todos. Está aberta à participação de toda pessoa, organização, coletivo, grupo, partido político, empresa, etc., que compartilhe a sensibilidade deste projeto. Portanto, não se trata de algo fechado, e sim de um percurso que irá se enriquecendo graças às atividades que se coloquem em curso, conforme as diversas iniciativas. Por isso, convidamos para a participação ativa: - que cada um contribua com sua criatividade, à medida que a Marcha passe por cada lugar, em uma convergência de múltiplas atividades com capacidade para tudo aquilo que a imaginação seja capaz de conceber. Os canais de participação são múltiplos, destacando a participação virtual na MM, através da Internet. É uma marcha das pessoas e para as pessoas, que pretende chegar à maioria da população mundial. Por isso, convocam-se todos os meios de comunicação para que difundam esta volta ao mundo pela Paz e a Não-Violência.
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O que será feito?
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Em sua passagem pelas cidades, serão realizados todos os tipos de fóruns, encontros, festivais, conferências e eventos (esportivos, culturais, sociais, musicais, artísticos, educativos, etc.) que irão sendo organizados à medida que surjam iniciativas em cada lugar.
No momento, já contamos com centenas de projetos que pessoas e organizações colocaram em pauta.
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Para quê?
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Para denunciar a perigosa situação mundial que está nos levando à guerra com armamento nuclear - um beco sem saída e a maior catástrofe humana da história.
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Para dar voz à maioria dos cidadãos do mundo que não estão a favor das guerras nem da corrida armamentista. Todos nós sofremos as conseqüências da manipulação de uns poucos, porque não nos unimos para dar um sinal. É chegada a hora de que cada um demonstre sua postura, seu rechaço. Une teu sinal ao de muitos outros e tua voz terá que ser escutada!
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Para conseguir: - o desaparecimento das armas nucleares; a redução progressiva e proporcional de armamentos; a assinatura de tratados de não-agressão entre países, a renúncia dos governos a utilizar as guerras como meio para resolver conflitos.
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Para evidenciar outras diversas formas de violência (econômica, racial, sexual, religiosa), escondidas ou disfarçadas pelos que as provocam e para proporcionar àqueles que a sofrem uma maneira de se fazer escutar.
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Para, da mesma maneira que aconteceu com a ecologia, criar uma consciência global da necessidade de uma verdadeira Paz e de repúdio a todo tipo de violência.
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Site oficial, adesão e mais informações:
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(possibilidade de adesão pessoal, de organizações, de prefeitos, de universidades) ...
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Liderança e divulgação em Portugal: http://www.freetibetportugal.org .
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Liderança e divulgação no Brasil: http://tibetelivrebrasil.blogspot.com ;
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Progresso Sustentável

POLITICAMENTE CORRETO...

OS INTERESSES CORPORATIVOS PERMITIRÃO?

domingo, 28 de dezembro de 2008

Uma Poderosa Ferramenta

"O PODER DE UM ABRAÇO É INCOMENSURAVELMENTE MAIOR DO QUE SUPOMOS. QUANDO O FIZERMOS, SEJA COM A DEVIDA SINCERIDADE." (FMV, Escritos Esparsos, 2008, http://fmarcondesvelloso.blogspot.com)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Rosa e Lixo

 
ROSA E LIXO

Thich Nhat Hanh

 Impuro ou imaculado. Sujo ou puro. Estes são conceitos que formamos em nossa mente. Uma bela rosa que recém cortamos e colocamos em um vaso é imaculada. Ela cheira tão bem, tão pura, tão fresca. Ela traduz a idéia de ser imaculada. O oposto é uma lata de lixo. Cheira muito mal e está cheia de coisas em putrefação.

 Porém, isto é apenas quando você olha superficialmente. Se você olhar mais profundamente, você verá que, em apenas uns cinco ou seis dias, a rosa se tornará parte do lixo. Você nem precisa esperar cinco dias para ver isto. Se você simplesmente olhar para a rosa, olhar profundamente, pode ver isto agora. E, se você olhar dentro da lata de lixo verá que em uns poucos meses seu conteúdo poderá transformar-se em adoráveis vegetais, e até mesmo em uma rosa. Se você for um bom jardineiro orgânico e tiver os olhos de um bodhisattva, olhando para a rosa, poderá ver o lixo, e olhando para o lixo, poderá ver uma rosa. Rosas e lixo intersão. Sem uma rosa não podemos ter lixo. E sem o lixo, não podemos ter uma rosa. Eles precisam muito um do outro. A rosa e o lixo são iguais. O lixo é tão precioso quanto a rosa, na mesma medida. Se nós olharmos profundamente para os conceitos de impureza e pureza, seremos remetidos para a noção de interser.

 No Majjhima Nikaya, há uma pequena passagem sobre como o mundo surgiu. É muito simples, muito fácil de entender e, no entanto, muito profunda: "Isto é porque aquilo é. Isto não é porque aquilo não é. Isto é deste jeito, porque aquilo é daquele jeito". Este é o ensinamento budista sobre a Gênese.

 Na cidade de Manila há muitas jovens prostitutas, algumas delas com apenas quatorze ou quinze anos de idade. Elas são mocinhas muito infelizes. Elas não queriam ser prostitutas. Suas famílias são pobres e estas jovens meninas vieram para a cidade procurar por algum tipo de trabalho, como vendedoras de rua, para conseguir dinheiro e remetê-lo para suas famílias. Claro que isto não ocorre apenas em Manila, mas na cidade de Ho Chi Minh no Vietnam, em Nova York e em Paris também. É verdade que na cidade você pode conseguir dinheiro mais facilmente do que no campo, então nós podemos imaginar como uma jovem menina pode ter sido tentada a ir até lá para ajudar sua família. Mas, depois de algumas poucas semanas ali, ela foi persuadida por alguma pessoa esperta a trabalhar para ela e ganhar talvez cem vezes mais dinheiro. Pelo fato de ser tão jovem, e não saber muita coisa sobre a vida, ela aceitou e se tornou uma prostituta. Desde aquele momento, ela carrega o sentimento de ser impura, suja, e isto lhe causa grande sofrimento. Quando ela olha para as outras meninas, belamente vestidas, pertencentes a boas famílias, um sentimento horrível cresce nela, e este sentimento de impureza transforma-se no seu inferno.

 Porém, se ela tivesse uma oportunidade de encontrar-se com Avalokita, ele lhe diria para olhar profundamente para si mesma e para toda a situação e ver que ela está deste jeito porque outras pessoas estão daquele outro modo. "Isto é assim, porque aquilo é assado." Então, como pode uma chamada "boa garota", pertencente a uma boa família, ser orgulhosa? Porque o seu modo de vida é assim, o da outra menina tem que ser daquela outra maneira. Entre nós, ninguém tem as mãos limpas. Ninguém pode afirmar que isto não é nossa responsabilidade.

 A garota em Manila é daquele jeito por causa do modo como nós somos. Olhando para dentro da vida daquela jovem prostituta, nós vemos as pessoas não-prostitutas. E, olhando para as pessoas não-prostitutas, e para a maneira como vivemos nossas vidas, nós vemos a prostituta. Isto ajuda a criar aquilo, e aquilo ajuda a criar isto.

 Vamos olhar para a opulência e a miséria. A sociedade opulenta e a sociedade carente de tudo intersão. A opulência de uma sociedade é feita da miséria da outra. "Isto é assim, porque aquilo é como é." A riqueza é feita de elementos não-riqueza, e a pobreza, de elementos não-pobreza. E exatamente o mesmo que com a folha de papel. Então, nós precisamos ser cuidadosos. Não deveríamos nos aprisionar em conceitos. A verdade é que cada coisa soma todas as demais coisas. Nós só podemos interser, não podemos apenas ser. E nós somos responsáveis por tudo o que acontece à nossa volta.

 Avalokitesvara dirá para a jovem prostituta: "Minha criança, olhe para você mesma e você verá tudo. Porque as outras pessoas estão daquele jeito, você está assim. Você não é a única pessoa responsável, então por favor, não sofra." Somente olhando com os olhos do interser é que aquela jovem menina pode libertar-se do seu sofrimento. O que mais você pode oferecer a ela para ajudá-la a ser livre?

 Nós estamos aprisionados por nossas idéias de bem e mal. Nós queremos ser somente bons, e remover tudo que é mau. Mas isto ocorre porque esquecemos que o bem é feito de elementos não-bem. Suponha que eu esteja segurando um adorável ramo. Quando olhamos para ele com uma mente não-discriminativa, vemos este maravilhoso ramo. Porém, assim que distinguimos que uma ponta é a esquerda e a outra é a direita, nós temos um problema. Nós podemos dizer que queremos apenas a esquerda, que não queremos a direita - como vocês ouvem frequentemente -, e imediatamente surge um problema. Se o "direitista" não estiver lá, como pode você ser um "esquerdista"? Vamos dizer que eu não queira a ponta direita deste ramo, só quero a da esquerda. Então, eu quebro na metade esta realidade e a jogo fora. Mas, tão logo eu tenha jogado a metade não desejada fora, a ponta que permanece se torna direita - a nova direita. Porque desde que a esquerda esteja lá, a direita deve também estar. Eu posso ficar frustrado e tentar novamente. Eu quebro o que sobrou do meu ramo pela metade e mesmo assim tenho a ponta direita aqui.

 O mesmo pode ser aplicado ao bem e ao mal. Você não pode ser apenas bom. Você não pode esperar remover o mal, porque graças ao mal, o bom existe, e vice-versa. Quando você encena uma peça teatral relacionada a um herói, você precisa providenciar um antagonista para que o herói possa ser um herói. Assim, o Buda precisa de Mara para assumir o papel de mau para que o Buda possa ser um Buda. O Buda é tão vazio quanto a folha de papel. O Buda é feito de elementos não-Buda. Se não-Budas como nós não estivessem aqui, como poderia haver um Buda? Se os "direitistas" não estiverem ali como poderemos chamar alguém de "esquerdista"?

 Na minha tradição, toda a vez que junto as palmas das mãos para fazer uma profunda reverência ao Buda, eu canto este versinho:

Aquele que se inclina e presta respeito,
E aquele que recebe a reverência e o respeito,
Ambos são vazios.
Por isso é que a comunhão é perfeita.

 Não é arrogante dizer isto. Se eu não for vazio, como posso prostrar-me para o Buda? E se o Buda não for vazio, como pode receber minha reverência? O Buda e eu intersomos. O Buda é feito de elementos não-Buda, como eu. E eu sou feito de elementos não-eu, como o Buda. Assim, o sujeito e o objeto de reverência são ambos vazios. Sem um objeto, como pode existir um sujeito?

 No Ocidente, vocês têm lutado por muitos anos com o problema do mal. Como é possível para o mal estar ali? Parece que é difícil para a mente ocidental compreender. Mas, sob a luz da não-dualidade, não há problema: - Tão logo a idéia do bem esteja ali, a idéia do mal estará lá também. O Buda precisa de Mara a fim de revelar-se e vice-versa. Quando você perceber a realidade desta maneira, você não discriminará contra o lixo em beneficio de uma rosa. Você apreciará a ambos. Você precisa tanto da direita quanto da esquerda para ter um ramo. Não tome partidos. Se você toma partido, você estará tentando eliminar metade da realidade, o que é impossível.

 Por muitos anos, os Estados Unidos tentaram descrever a Rússia como o lado mau. Alguns americanos até mesmo tiveram a ilusão de que eles poderiam sobreviver sozinhos, sem a outra metade. Porém, isto é o mesmo que acreditar que o lado direito pode existir sem o lado esquerdo. E este mesmo sentimento existe na Rússia. Os americanos imperialistas, é dito, estão do lado mau e devem ser eliminados para haver possibilidade de felicidade no mundo. Mas, esta é a forma dualista de ver as coisas. Se nós olharmos para a América muito profundamente, nós vamos ver a Rússia. Se nós olharmos profundamente para a Rússia, veremos a América. Se nós olharmos profundamente para a rosa, nós veremos o lixo. Se nós olharmos profundamente para o lixo, veremos a rosa. Nesta situação internacional, cada lado finge ser a rosa, chamando o outro lado de lixo.

 Então a idéia está clara de que "isto é porque aquilo é". Você tem que trabalhar pela sobrevivência do outro lado se você mesmo quer sobreviver. É realmente muito simples. Sobreviver significa a sobrevivência da humanidade como um todo, não só uma parte dela. E nós sabemos agora que isto deve ser consumado não somente entre Estados Unidos e Rússia, mas também entre o Norte e o Sul. Se o Sul não puder sobreviver, então o Norte vai sucumbir. Se os países do Terceiro Mundo não podem pagar suas dívidas, haverá sofrimento aqui no Norte. Se você não cuidar do Terceiro Mundo, o seu bem-estar não vai durar muito e você não será capaz de continuar vivendo da mesma forma por muito tempo mais. Isto já está ficando mais do que evidente.

 Então, não espere eliminar o lado mau. E fácil pensar que estamos do lado bom e que o outro lado é mau. Mas, a opulência é feita de miséria, e a miséria é feita de opulência. Esta é uma visão muito clara da realidade. Nós não precisamos ir longe para ver o que temos de fazer. Os cidadãos da Rússia e os cidadãos dos Estados Unidos são apenas seres humanos. Nós não podemos estudar e compreender um ser humano apenas por estatísticas. Você não pode deixar a tarefa somente para os governos e cientistas políticos. Você mesmo tem de fazê-la. Se você chegar a uma compreensão dos medos e esperanças de um cidadão russo, então você poderá compreender os seus próprios medos e esperanças. Somente a penetração na realidade pode nos salvar, O medo não pode nos salvar. Nós não estamos separados. Estamos indissoluvelmente inter-relacionados. A rosa é o lixo, e a não-prostituta é a prostituta. O homem rico é a própria mulher pobre e o budista é o não-budista, O não-budista não pode deixar de ser um budista porque nós intersomos. A emancipação da jovem prostituta virá assim que ela puder ver dentro da natureza do interser. Ela saberá que está carregando o fruto do mundo inteiro. E, se nós olharmos para dentro de nós mesmos e pudermos vê-la, nós carregaremos a dor dela, e a dor do mundo inteiro.

"Order of Interbeing", Plum Village

terça-feira, 25 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A Visão Planetária de Barack Obama

"EU TENHO UM SONHO..."
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

"E quando isto acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar..."

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O Presidente Eleito dos Estados Unidos
Resgata Idéias da Filosofia Teosófica Clássica


Por Carlos Cardoso Aveline

“O verdadeiro teosofista não pertence a nenhum
culto ou seita, e no entanto pertence a todos eles.”
(Robert Crosbie)

“Em nossa casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad
Gita ficavam na prateleira juntamente com os livros
da mitologia grega, norueguesa e africana. Na
Páscoa ou no Natal [minha mãe] me arrastava para
a igreja, assim como para templos budistas, para a
celebração do Ano Novo chinês, para santuários
xintoístas ou para antigos locais de rituais havaianos.”
(Barack Obama)

A teosofia é uma filosofia planetária e a sua meta primeira é despertar a compreensão e a vivência da fraternidade universal. Assim como o movimento teosófico, ela é independente de rótulos, nomes pessoais, ideologias ou organizações. O que define o verdadeiro campo de ação da teosofia clássica e do seu estudante são fatores muito reais mas intangíveis como a compreensão das leis da natureza, a consciência ética e uma solidariedade para com todos os seres.

Ter acesso à sabedoria divina é um assunto de almas e não de corporações ou instituições. William Judge, um dos principais fundadores do movimento esotérico moderno, escreveu:

“Como o Movimento Teosófico é contínuo, ele pode ser encontrado em todos os tempos e todas as nações. Onde quer que o pensamento venha lutando para ser livre, onde quer que as idéias espirituais tenham sido promulgadas em oposição às formas e ao dogmatismo, lá o grande movimento pode ser percebido.” [1]

Deste ponto de vista, um cidadão de boa vontade e visão ampla pode ser considerado um verdadeiro teosofista, ainda que não seja membro de qualquer agrupação teosófica. Não importa se ele é cristão, judeu, budista, muçulmano ou seguidor de uma ou de outra filosofia. Na medida em que ele compreende a universalidade da ética planetária, sua vida ajuda a abrir espaço para a percepção da fraternidade universal, e ele é um verdadeiro teosofista, no plano da alma.

Este talvez seja o caso do senador Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos em novembro de 2008 e que agora se prepara para assumir a liderança do país mais influente do nosso processo civilizatorio. Examinando fatos da vida de Obama e fragmentos dos livros que escreveu, poderemos avaliar o tamanho da afinidade entre ele e a ética e a sabedoria universais.

Derrubar os Muros Entre Povos, Raças e Religiões.

Em julho de 2008, Barack Obama falou em Berlim, Alemanha, para uma multidão calculada pelas autoridades policiais em duzentas mil pessoas. Ele abriu o evento sem precedentes esclarecendo que estava ali na condição de “cidadão do mundo” – uma expressão que contém em si mesma a idéia da cidadania planetária e de um mundo sem fronteiras. Ali estava um cidadão em campanha eleitoral nos Estados Unidos, falando em manifestação de rua em país europeu. Em seguida, Obama formulou a sua proposta de cooperação entre todos os povos. Referindo-se indiretamente à derrubada democrática do Muro de Berlim, em 1989, ele disse:

“A solidariedade e a cooperação entre as nações não é uma escolha. É o único caminho, o único caminho, para proteger a nossa segurança comum e fazer avançar a nossa humanidade comum. É por isso que o maior de todos os perigos seria permitir que novos muros nos dividam um dos outros. Os muros entre os velhos aliados dos dois lados do Atlântico não podem ficar de pé. Os muros entre os países que têm muito e os países que têm muito pouco não podem ficar de pé. Os muros entre raças e tribos; nativos e imigrantes; cristãos e muçulmanos e judeus, não podem ficar em pé. Estes são, agora, os muros que nós devemos derrubar. Nós sabemos que eles caíram antes. Depois de séculos de conflito, os povos da Europa formaram uma união promissora e próspera.”

E prosseguiu:

“Aqui, na base de uma coluna construída para marcar a vitória na guerra, nós nos encontramos no centro de uma Europa em paz. Muros caíram não só em Berlim, mas eles vieram abaixo em Belfast, onde os protestantes e os católicos descobriram uma maneira de viver lado a lado; nos Balcãs, onde a nossa aliança Atlântica terminou as guerras e apresentou criminosos de guerra à justiça; e na África do Sul, onde a luta de um povo corajoso derrotou o apartheid. Assim, a história nos faz lembrar do fato de que os muros podem ser derrubados. Mas a tarefa nunca é fácil. A verdadeira cooperação e o verdadeiro progresso requerem um trabalho constante e um sacrifício contínuo. Eles exigem que se compartilhe as responsabilidades do desenvolvimento e da diplomacia; do progresso e da paz. Eles requerem aliados que escutam uns aos outros, que aprendem uns dos outros, e, sobretudo, que confiam uns nos outros.” [2]

Libertar o Mundo Das Armas Nucleares.

Barack Obama acrescentou:

“Este é o momento em que devemos renovar a meta de um mundo sem armas nucleares. As duas superpotências que olhavam uma para a outra através do muro desta cidade estiveram demasiado perto, por um tempo demasiado longo, de destruir tudo o que nós construímos e tudo o que amamos. Com o final daquele muro, nós não necessitamos ficar parados sem fazer nada, olhando para a proliferação da energia atômica mortal. (...) Este é o momento de começar a trabalhar em busca da paz de um mundo livre de armas nucleares.”

Depois ele falou vigorosamente da necessidade de paz no Oriente Médio, e abordou a questão da ecologia planetária. Obama disse:

“Este é o momento em que devemos unir-nos para salvar este planeta. Devemos tomar a decisão de que não deixaremos para nossos filhos um mundo em que os oceanos se elevam, e a fome se espalha, e tempestades terríveis devastam as nossas terras. Devemos decidir que todas as nações – inclusive a minha própria – agirão com a mesma seriedade de propósito que a sua nação [a Alemanha], e reduzirão o carbono que colocam na atmosfera. [3] Este é o momento em que devemos devolver às nossas crianças o futuro que pertence a elas. Este é o momento para agirmos em unidade.” [4]

A Intenção de Refazer o Mundo.

Obama parece saber o que deve fazer. E não pode ser acusado de possuir metas demasiado pequenas. Filho de um queniano, e nascido Havaí, ele concluiu o seu principal discurso fora dos Estados Unidos com estas palavras:

“Povo de Berlim – povo do mundo – este é o nosso momento. Esta é a nossa vez. Eu sei que meu país não tem se aperfeiçoado. (...) Nós temos a nossa quota de erros. (...) Mas também sei que (...) durante mais de duzentos anos, nós temos nos esforçado (...) com outras nações, [por] um mundo com mais esperança. Nosso compromisso nunca foi com qualquer tribo ou reino especificamente – na verdade, todas as línguas são faladas em nosso país; todas as culturas deixaram sua marca na nossa cultura; e cada ponto de vista é expressado em nossas praças públicas. O que sempre nos uniu – o que sempre mobilizou o meu povo – o que atraiu o meu pai para o território norte-americano, é um conjunto de ideais que correspondem a aspirações compartilhadas por todos os povos: a crença de que podemos viver livres do medo e de necessidades materiais graves; de que podemos dizer o que pensamos, e reunir-nos com quem quisermos, e seguir a religião que acharmos melhor. (...) Povo de Berlim – e povo do mundo – a escala do nosso desafio é grande. O caminho à frente será longo. Mas venho dizer a vocês que somos herdeiros de uma luta por liberdade. Que somos um povo de esperanças improváveis. Com o olhar voltado para o futuro, com decisão em nossos corações, que possamos lembrar desta história, fazer frente ao nosso destino e refazer o mundo mais uma vez.”

Muito antes do discurso de Berlim, Obama já tinha esta clareza de metas.

Em fevereiro de 2007, ao fazer o discurso de lançamento da sua candidatura, ele assumira um compromisso com a mudança ética e ecológica em escala planetária:

“Sejamos a geração que finalmente liberta a América do Norte da tirania do petróleo. Podemos usar combustíveis alternativos, produzidos localmente, como o etanol, e aumentar a produção de carros com mais eficiência energética. Podemos estabelecer um sistema de fixação de gases que produzem o efeito estufa. Podemos transformar esta crise de aquecimento global em uma oportunidade para inovar, e para criar empregos, e para incentivar empreendimentos que servirão de modelo para o mundo. Sejamos a geração que faz com que as futuras gerações tenham orgulho do que nós fizemos aqui.” [5]

Sem receio de assumir metas visionárias – e olhando muito além das eleições norte-americanas –, ele disse naquela ocasião inaugural:

“E se vocês se somam a mim nesta luta improvável, se vocês sentem o chamado do destino, e vêem, como eu vejo, que o momento de acordar e de abandonar o medo é agora, assim como o momento de pagar a dívida que temos diante das gerações passadas e futuras, então estou pronto a assumir esta causa e marchar com vocês, e trabalhar com vocês. Juntos, a partir de hoje, que completemos o trabalho que necessita ser feito, de trazer para esta Terra um novo nascimento da liberdade.” [6]

A Regra de Ouro.

A proposta de Obama para os Estados Unidos e o mundo é acusada por seus adversários de ser vaga e ambígua. Ele chegou a ser qualificado como “pouco norte-americano”. A verdade é que ele tem uma visão mais complexa e mais profunda do que meras bandeiras eleitorais ou nacionalistas. A base do seu discurso é simultaneamente inter-religiosa, ética e filosófica. Está na famosa Regra de Ouro, um velho princípio da filosofia clássica grega e da antiga sabedoria oriental, que foi ensinado por Confúcio nos “Analectos” e adotado mais tarde pelo cristianismo. Este princípio ético milenar poderia ser chamado, corretamente, de “lei do bom carma”.

Obama esclarece:

“No final das contas, o que se necessita é nada mais, nada menos, que aquilo que todas as grandes religiões do mundo exigem – que façamos aos outros aquilo que queremos que eles façam a nós. Devemos proteger o nosso irmão, como a escritura diz. Devemos proteger a nossa irmã. Devemos encontrar aquele interesse comum que todos temos uns nos outros, e fazer com que a nossa política reflita este espírito.” [7]

O Espírito de Aloha.

O que será que existe de autenticamente teosófico na vida real de Barack Obama, e que possa explicar o seu constante discurso de adesão e de compromisso com a Ética Universal presente em todas as religiões? Qual é a sua formação, do ponto de vista da visão universalista da vida? Em que atmosfera Obama foi criado?

Ele nasceu em agosto de 1961 no Havaí. Não por casualidade a sua vida e suas idéias parecem expressar, até certo ponto, o espírito de “Aloha”.

A palavra “Aloha” é um verdadeiro mantra sagrado na cultura havaiana, famosa mundialmente por sua abertura mental e fraternidade em relação a todos os povos. É uma saudação e um conceito universalista. O termo é considerado equivalente à palavra sânscrita “Namastê” (“a divindade em mim saúda a divindade em você”); mas também significa “Shalom”, “Paz”, assim como “Compaixão” e “Amizade”.

O chamado “espírito de Aloha” implica um estado mental de paz consigo mesmo e com todos os seres. A filosofia, o discurso e a prática de Barack Obama parecem expressar alguma coisa deste mantra e desta cultura presentes em sua juventude.

Os avós maternos de Barack, que tiveram um papel central na educação do garoto, não só viviam no Havaí com o neto mas foram influenciados em determinado momento pela Igreja Unitária Universalista. Esta era uma igreja que buscava a confraternização das religiões e que mantinha laços estreitos com a Sociedade hinduísta Brahmo Samaj. A pensadora russa Helena Blavatsky escreveu extensamente sobre o movimento Brahmo Samaj, elogiando seu fundador e criticando os erros cometidos por seus líderes posteriores. [8] Barack Obama escreveu, sobre seu avô materno:

“Ele gostava da idéia de que os Unitários estudavam as escrituras de todas as grandes religiões”.

Para o avô, segundo Barack, era “como ter cinco religiões em uma”. [9]

Um Avô Que Era Curandeiro Africano.

Quanto ao avô paterno de Barack Obama, Hussein Onyango Obama, ele foi um curandeiro africano do Quênia, um muçulmano com poderes de cura e imerso nas tradições da cultura local. [10]

O pai de Barack Obama, africano e negro, também se chamava Barack. Este foi seu mestre e seu herói. Barack, o pai, deixou na vida de Barack, o filho, uma presença transcendente e uma influência mítica. No mundo infantil de Barack, o mundo intangível em que seu pai existia se misturava de algum modo com as origens do cosmo.

Cabe lembrar que a origem e o destino do universo é um tema teosófico por excelência.

Na sabedoria esotérica oriental, o assunto se relaciona com o caminho das grandes iniciações. Ao longo da sua obra “A Doutrina Secreta”, H. P. Blavatsky faz um estudo comparado das principais narrativas da origem do universo e do homem, mostrando os pontos em comum que há entre os relatos dos caldeus, da Bíblia, do Popol Vuh centro-americano, dos Puranas hindus, da Cabala judaica e de muitos outros povos. Barack Obama enfrentou este tema cósmico em sua infância, junto ao tema do pai-mito.

Em um dos seus livros, ele confessa, não sem humor:

“... O caminho da vida do meu pai ocupava o mesmo terreno que um livro que minha mãe comprou uma vez para mim, um livro chamado “Origens”, uma coleção de histórias da Criação de todas as partes do mundo, histórias de Gênese e da árvore na qual havia nascido o homem, Prometeu e o presente do fogo, a tartaruga da lenda hindu que flutuava no espaço, sustentando o peso do mundo sobre as suas costas. Mais tarde, quando fiquei mais acostumado ao caminho estreito para a felicidade a ser encontrado na televisão e nos filmes, eu ficava perplexo com várias questões. Em que se apoiava a tartaruga? Por que motivo um Deus onipotente permitiu que uma serpente causasse tamanho sofrimento? Por que meu pai não voltava? Mas com cinco ou seis anos de idade eu estava satisfeito com deixar estes mistérios distantes intactos...”. [11]

Mãe Universalista e Anti-Dogmática.

Foi a mãe de Obama, branca e norte-americana, que lhe transmitiu na vida diária a visão inter-religiosa e universalista, assim como o hábito diário do auto-treinamento e da auto-disciplina. Ela mantinha uma distância crítica das religiões dogmáticas, assim como faz a teosofia clássica e original, enquanto a pseudo-teosofia, lamentavelmente, cria versões próprias da religiosidade exotérica, com seus dogmas e sacerdotes.

Barack escreve que seus avós passaram à sua mãe uma combinação de racionalismo com jovialidade, e acrescenta:

“As próprias experiências de minha mãe como criança sensível e amiga dos livros, que crescia nas pequenas cidades do Kansas, Oklahoma e Texas, apenas reforçaram o ceticismo que herdara. As lembranças dos cristãos que povoavam sua juventude não eram das mais agradáveis. Ela ocasionalmentese recordava dos pregadores que baniam três quartos da população mundial por considerá-los pagãos ignorantes condenados a passar a vida eterna em maldição – e que insistiam que a terra e o céu foram criados em sete dias , com todas as provas geológicas e astrofísicas dizendo o contrário. Lembrava-se das mulheres respeitáveis da igreja, sempre tão rápidas em evitar as pessoas que não correspondessem aos seus padrões de decência, apesar de elas próprias ocultarem segredinhos sujos; dos pastores que proferiam epítetos raciais e ludibriavam os trabalhadores para tirar deles todo o dinheiro que conseguissem.”

Tal mediocridade “religiosa” não ocorria por acaso. Há um contexto maior em torno deste tipo de estreiteza de horizontes, que não é um fenômeno local, mas constitui na verdade um problema de escala global, combatido de frente pelos estudantes da teosofia original.

A verdadeira religiosidade não pode ser transformada em prisioneira de uma instituição ou ritual, nem pode distanciar-se por um momento da filosofia ou da ciência. Ela deve, isto sim, avançar inter-disciplinarmente, unida ao livre-pensamento.

Na famosa Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas” (Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes) , um mestre dos Himalaias – um raja-iogue – afirma que dois terços do sofrimento humano são causados pela falsidade e pelas ilusões provocadas pelas religiões dogmáticas e sacerdotais.

Barack Obama prossegue:

“Para minha mãe, a religião organizada muito frequentemente esconde sua mentalidade limitada sob o manto da piedade; e a crueldade e a opressão, sob o da honestidade. Mas isso não quer dizer que ela não me transmitiu valores religiosos. Para minha mãe, o conhecimento de pontos importantes das grandes religiões do mundo era uma parte necessária de uma educação impecável. Em nossa casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad Gita ficavam na prateleira juntamente com os livros da mitologia grega, norueguesa e africana. Na Páscoa ou no Natal [minha mãe] me arrastava para a igreja, assim como para templos budistas, para a celebração do Ano Novo chinês, para santuários xintoístas ou para antigos locais de rituais hawaianos. Mas fui educado para entender que isso não exigia nenhum compromisso de longo prazo da minha parte, nenhum esforço introspectivo maior ou autoflagelação. Para minha mãe, a religião era uma expressão da cultura humana; ela não explicava a origem da humanidade, era apenas uma das muitas formas – e não necessariamente a melhor maneira – de o homem tentar controlar o desconhecido e entender as mais profundas verdades sobre nossa vida. Em suma, minha mãe via a religião pelos olhos da antropóloga que ela viria a ser; era um fenômeno a ser tratado com respeito, mas também com desapego. (.....) E, apesar do seu secularismo, minha mãe era de muitas formas a pessoa mais espiritualizada que conheci. Tinha um instinto inabalável para a bondade, a caridade e o amor, e passou grande parte da sua vida agindo de acordo com estes instintos, às vezes em detimento de si mesma. Sem a ajuda de textos religiosos ou autoridades externas, trabalhou muito para transmitir a mim os valores que muitos norte-americanos aprendem na escola dominical: honestidade, empatia, disciplina, capacidade de postergar a gratificação pessoal e trabalho duro. Enfurecia-se com a pobreza e a injustiça, e desprezava aqueles que eram indiferentes a ambas.” [12]

Uma Visão Racional e Universalista.

Barack construiu sua vida sobre este alicerce filosófico e emocional, intelectualmente profundo mas também inseparável de atitudes práticas e concretas.

Em suas obras, o leitor encontra passagens em que ele faz, de várias formas, uma declaração de princípios.

Não é difícil perceber que o raciocínio de Barack está baseado em uma visão ampla e universal que pode ser qualificada de claramente teosófica no sentido clássico da palavra. Ele afirma:

“... Dada a diversidade crescente da população norte-americana, os perigos do sectarismo nunca foram maiores. O que quer que já tenhamos sido, não somos mais apenas uma nação cristã; somos também uma nação judaica, muçulmana, budista, e uma nação de descrentes.”

E prossegue:

“Mas presumamos que só tivéssemos cristãos dentro dos limites das nossas fronteiras. Que cristianismo ensinaríamos nas escolas? (....) Que passagens do Evangelho deveriam guiar nossa política pública? Deveríamos seguir o Levítico, que sugere que não há nada de errado com a escravidão e que comer moluscos é uma abominação? E quanto ao Deuteronômio, que sugere apedrejar seu filho caso ele se desvie da fé? Ou deveríamos nos limitar apenas ao Sermão da Montanha – uma passagem tão radical que é duvidoso que nosso Departamento de Defesa sobrevivesse à sua aplicação?”

Definitivamente, a crença cega na letra morta deve ser abandonada.

Os princípios essenciais devem ser percebidos, e eles estão além das formas visíveis. Obama conclui propondo a opção pelo bom senso:

“O que nossa democracia deliberativa e pluralista exige é que pessoas motivadas religiosamente traduzam suas preocupações para valores universais, não determinados pela religião. Isto exige que suas propostas estejam sujeitas a discussões e abertas à razão.” [13]

NOTAS:

[1] “Theosophical Articles”, William Q. Judge, The Theosophy Co., Los Angeles, 1980, edição em dois volumes, ver vol. II, p. 124.

[2] “Change We Can Believe In - Barack Obama’s Plan to Renew America’s Promise”, livro com o programa de governo e sete discursos de Obama, publicado por Three Rivers Press, New York, 2008, 274 pp., ver pp. 265-266.

[3] A Alemanha é um dos países do mundo em que há mais consciência ambiental. A própria Chanceler atual, Angela Merkel, têm uma longa trajetória pessoal de compromisso com a preservação do meio ambiente.

[4] “Change We Can Believe In”, obra citada, p. 267 a 269.

[5] “Change We Can Believe In”, obra citada, pp. 198-199.

[6] “Change We Can Believe In”, obra citada, pp. 201-202.

[7] “Change We Can Believe In”, obra citada, p. 228.

[8] Veja, por exemplo, “The Collected Writings”, Helena Blavatsky, TPH, Índia, volume III, pp. 55-61 e pp. 286-287. E também “The Collected Writings”, volume IV, pp. 439-443, entre outros textos.

[9] “Dreams From My Father”, Barack Obama, Three Rivers Press, 1995 e 2004, New York, 458 pp., ver p. 17.

[10] “Dreams From My Father”, Barack Obama, obra citada, ver p. 09.

[11] “Dreams From My Father”, obra citada, p. 10.

[12] “A Audácia da Esperança”, Barack Obama, Larousse do Brasil, SP, 2007, 400 pp., ver pp. 221, 222 e 223. Nesta citação, segui a edição original em língua inglesa nos casos em que a versão brasileira está inexata. Ver “The Audacity of Hope”, Three Rivers Press, 376 pp., 2006, pp. 203-204.

[13] As citações feitas nestes últimos parágrafos vêm de “A Audácia da Esperança”, obra citada, pp. 236-237.

Fonte: http://www.filosofiaesoterica.com.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Campanha de Sustentabilidade e Consciência Universal

 

Campanha de Sustentabilidade e Consciência Universal
 

1. Consuma menos o planeta
2. Coma menos, faça menos barulho
3. Produza menos lixo e poluição
4. Demande menos, ofereça mais
5. Que você não seja mais um peso!
6. Seja discreto, conviva em harmonia
7. O mundo apenas lhe deu acolhida, 

não o direito de o destruir
8. Participe, pratique, compartilhe!
9. O Planeta agradece
10. Ame e respeite a vida!


PS Não coma animais, toda vida deve ser respeitada. Não judie de animais, toda vida deve ser respeitada. Não aprisione animais, toda vida deve ser respeitada. Não compre produtos cujos laboratórios façam testes animais,  
TODA VIDA DEVE SER RESPEITADA!

Nos Cantos da Terra recomenda alimentação vegana.

Também essa outra mensagem, de Paul McCartney, 
tem mudado milhões de mentes: 
"Glass Walls" vídeo, legendado: http://youtu.be/Zo-9XJNAWqw.